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Pesquisadores do CENA/USP visitam comunidades do Rio Madeira para fortalecer a rastreabilidade do cacau amazônico.

  • Foto do escritor: Matheus Barreto
    Matheus Barreto
  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de abr.

A ciência e o conhecimento tradicional caminham juntos quando o objetivo é valorizar a produção local e garantir a autenticidade de um produto tão especial quanto o cacau amazônico. Recentemente, o Projeto "Cacau na Rota", desenvolvido por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA/USP), passou pelos municípios de Manicoré e Autazes. Nesses locais, encontramos parceiros fundamentais para a pesquisa: produtores rurais que fazem parte da nossa rede de atuação.



Coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Martinelli, professor titular da USP, o projeto tem como objetivo estudar a rastreabilidade da origem geográfica do cacau. Para isso, utilizamos ferramentas científicas avançadas. Os pesquisadores utilizam isótopos estáveis — verdadeiras “impressões digitais” químicas deixadas pelo solo, pela água e pelo clima. Com isso, buscamos identificar a região de origem do fruto, agregando transparência, credibilidade e valor ao cacau produzido na Amazônia.


Pesquisadores destacam parceria e sucesso da expedição


As atividades do Projeto “Cacau na Rota”, realizadas ao longo do rio Madeira, no Amazonas, foram muito bem-sucedidas. Graças ao apoio de instituições e agentes locais, como o Instituto Piagaçu, o IDAM, a Nakau e a Prefeitura Municipal de Manicoré, na pessoa do secretário municipal de produção rural, Manoel R. De Paula Costa, foi possível coletar amostras de cacau em diversas comunidades ribeirinhas. Esse suporte foi essencial para o nosso trabalho.



“Desde o início, tínhamos consciência dos desafios envolvidos. As dificuldades de acesso às comunidades e o fato de ser nossa primeira experiência nessa região do Amazonas foram obstáculos. Ainda assim, o acolhimento e o apoio recebidos em cada município visitado foram fundamentais para a realização de um trabalho consistente e de qualidade. Esperamos que os resultados deste estudo possam gerar benefícios concretos para os produtores e comunidades locais, contribuindo para o fortalecimento da bioeconomia na região.” — Dr. Rodrigo Figueiredo Almeida (CENA/USP)


Produtores locais celebram participação na pesquisa


Durante a passagem pela Rio Madeira, a equipe do projeto contou com a colaboração de dois importantes nomes da nossa comunidade: Jonatas Castro, que integra o conselho fiscal do Piagaçu, e o produtor rural Breno Malveira, agricultor ligado à nossa rede de atuação. Ambos cederam amostras de frutos de cacau e folhas, contribuindo diretamente para o avanço da pesquisa.


Em seu depoimento, Jonatas Castro destaca a importância dessa parceria:


“A passagem dos pesquisadores da USP em nossa região foi de grande importância para coletar o material genético do cacau existente no rio Madeira, município de Manicoré. Com este trabalho, poderá ser feito o mapeamento do material genético predominante na região, que também existe em outros municípios, como Novo Aripuanã, Borba e Nova Olinda do Norte.”


Breno Malveira representa um exemplo inspirador dos novos tempos no campo. Filho de uma família de quarta geração de amazonenses, ele optou por deixar a cidade e construir sua vida em uma comunidade ribeirinha do rio Madeira. Dedicando-se ao cultivo do cacau, ele sente muito orgulho e pertencimento. Sobre a experiência de receber os pesquisadores, ele afirma:


“É muito gratificante saber que a USP tem realizado estudos nucleares com isótopos do cacau. Isso demonstra o interesse da academia em rastrear a origem desse material tão valioso. Eu, Breno Lago Malveira, produtor de cacau da quarta geração de amazonenses, sinto-me realizado em saber que nosso cacau fará parte dos estudos da região do Madeira. É uma honra ver o nome da nossa comunidade ser reconhecido como referência de coleta para pesquisas científicas.”



Ciência e saberes locais em sintonia


A iniciativa reforça o que acreditamos: o encontro entre o conhecimento científico e o saber empírico é essencial para fortalecer a cadeia produtiva do cacau. Isso ajuda a combater o desmatamento, certificar produtos premium e garantir mais transparência para consumidores e exportadores.


Agradecemos imensamente ao Jonatas, ao Breno, às equipes do IDAM e da Nakau, ao secretário Manoel R. De Paula Costa e à Prefeitura de Manicoré, e a todos os agricultores que abriram as portas de suas propriedades para essa parceria. O conhecimento gerado por meio dessas pesquisas será revertido em valorização para quem produz e para o território como um todo.


O futuro do cacau amazônico


O cacau amazônico tem um potencial enorme. Ele não é apenas um produto, mas uma parte da cultura e da identidade das comunidades locais. Com o apoio de iniciativas como o Projeto "Cacau na Rota", podemos garantir que esse tesouro seja preservado e valorizado.


A bioeconomia é uma alternativa viável e necessária. Ela promove práticas sustentáveis que beneficiam tanto o meio ambiente quanto as comunidades. É um caminho que devemos trilhar juntos, unindo forças e conhecimentos.


Para saber mais sobre o trabalho do CENA/USP, acesse: http://www.cena.usp.br

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